Filarmônica de Minas Gerais une música e mitologia, em concerto da série fora da série

Google+PinterestLinkedInTumblr+

Em concerto da série Fora de Série, no dia 15 de junho, às 18h, na Sala Minas Gerais, a Filarmônica de Minas Gerais une Música e Mitologia. Seja com o fogo de Prometeu, o amor de Eros e Psiquê ou o inferno de onde Orfeu resgata Eurídice, compositores de diferentes épocas escreveram obras musicais que espelham esse desejo universal de nos conhecermos. Sob regência do maestro Marcos Arakaki, a Orquestra interpreta: As criaturas de Prometeu, op. 43: Abertura, de Beethoven Prometeu, Poema sinfônico nº 5, de Liszt Seis epígrafes antigas, de Debussy/Ansermet Psiquê e Eros, de Franck A bela Galateia: Abertura, de Suppé Orfeu e Eurídice: Dança das fúrias, de Gluck e Orfeu no Inferno: Abertura, de Offenbach.

Em 2019, a série Fora de Série, com nove concertos ao longo do ano, irá explorar a conexão da música com outras manifestações humanas, como dança, teatro, cinema, fauna e flora, guerra e paz, mitologia, pintura, religiosidade e a literatura.

Este concerto é apresentado pelo Ministério da Cidadania e Governo de Minas Gerais e conta com o Patrocínio da Aliança Energia e do Banco Votorantim por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Repertório:
– Música e Mitologia
Ludwing van Beethoven (1770 – 1827): As criaturas de Prometeu, op. 43: Abertura
Franz Liszt (1811 – 1886): Prometeu, Poema sinfônico nº 5
Claude Debussy (1862 – 1918): Seis epígrafes antigas
César Franck (1822 – 1890): Psiquê e Eros
Franz von Suppé (1819 – 1895): A bela Galateia: Abertura
Christoph Willibald Gluck (1714 – 1787): Orfeu e Eurídice: Dança das fúrias
Jacques Offenbach (1819 – 1880): Orfeu no Inferno: Abertura

Beethoven escreveu a música para o balé As criaturas de Prometeu, de Salvatore Viganò, entre a composição de  suas duas primeiras sinfonias. Prometeu mostra Beethoven explorando efeitos orquestrais que jamais apareceriam em suas sinfonias, porém, mais tarde, ele usaria material do balé nas Variações para piano op. 35 e no finale da Sinfonia Eroica.

Na tragédia Prometeu Acorrentado, atribuída ao dramaturgo grego Ésquilo, Prometeu é um titã que rouba faíscas da carruagem de fogo dos deuses. Pela traição de entregar fogo à humanidade, ele foi acorrentado a uma pedra como punição. Irresistível para compositores do século XIX, a história foi usada em diversas composições e serviu como insumo para peças que buscam no mitológico um entendimento para a sociedade. Meio século depois da estreia de As criaturas de Prometeu de Beethoven, em 1801, foi a vez de Franz Liszt abordar o mito no quinto poema sinfônico de sua carreira. “Sofrimento e apoteose” foi a maneira como Liszt resumiu o processo de composição: o modo tormentoso, sensual e tempestuoso de expressão oferece uma peça musical constituída de uma angústia profunda cujo triunfo é obtido pela energia e perseverança. Como pontuou o biógrafo Alan Walker, em Prometeu, “Liszt também roubou fogo do céu, e nós continuamos gratos pelo presente”.

O deus Pã (ou Fauno, seu equivalente na mitologia romana) é uma figura recorrente nas composições de Debussy. Intitulada Pour invoquer Pan, die udu vent d’été (Para invocar Pã, deus do vento do verão), a primeira peça de Seis epígrafes antigas personifica a eterna dualidade entre o humano e o animal: Pã fora rejeitado pela ninfa Siringe por ter orelhas, chifres e pernas de bode. Em carta ao seu editor Jacques Durand, em 11 de julho de 1914, Debussy explica que “tinha a intenção de fazer uma sequência orquestral, mas os tempos são difíceis, e a vida tem sido dura”. Criada inicialmente para piano a quatro mãos, as epígrafes foram a última composição de Debussy antes da eclosão da I Guerra Mundial. A versão para grande orquestra só chegou em 1932, pelas mãos de Ernest Ansermet.

Obras como Sinfonia em ré menor e Variações Sinfônicas parecem ter eclipsado as demais obras sinfônicas de César Franck. Entre os trabalhos indevidamente negligenciados de seu repertório está o poema sinfônico Psiquê. Por sua conhecida devoção cristã, a peça é um ponto fora da curva na carreira do compositor. Inspirada no romance Metamorfoses, escrito em latim por Lúcio Apuleio, o quarto movimento da obra, intitulado Psiquê e Eros, narra o encontro dos dois amantes. Com ciúme da beleza da mortal Psiquê, a deusa Afrodite (Vênus) convence seu filho Eros (Cupido) a lançar um feitiço para que ninguém se apaixone por ela. Ele lança sua flecha, mas fere a si mesmo e acaba se apaixonando por Psiquê. Após ser enviada a uma montanha, Psiquê finalmente consegue se juntar a Eros, mas desobedece a instrução de não olhar seu rosto, ação pela qual é punida. As três partes de Psiquê e Eros relatam a sua subida até a montanha, o encontro com Eros e sua punição e subsequente redenção.

Franz von Suppé está no seu melhor momento em A bela Galateia: Abertura, de 1865. Na França daquela época, um dos gêneros de teatro e operetta mais famosos eram as paródias de contos mitológicos. Tragédias gregas eram recontadas em tons cômicos, uma linha que Offenbach, contemporâneo de Suppé, dominara com maestria. Na adaptação de A bela Galateia, Suppé pega emprestada a ideia de seu colega francês. O enredo distorce o mito de Pigmalião e Galateia.

Durante mais de três séculos, o mito de Orfeu permaneceu como um dos temas mais recorrentes em óperas. Gluck, mais do que qualquer outro, deu novos ares ao já conhecido personagem. Diferentes versões de Orfeu e Eurídice foram produzidas, seguindo diferentes escolas operísticas com o intuito de atender aos anseios de diferentes públicos.

Conta a lenda que Orfeu foi o melhor músico que já pisou na terra. Com o poder da música, domou animais selvagens, fez com que as árvores o seguissem e despertou para a vida seres inanimados. Ele tocou tão divinamente a lira que todos pararam para ouvi-lo. Quando sua amadíssima esposa, Eurídice, morreu, foi buscá-la no Hades, e a força de sua lágrima suavizou até o severo deus dos mortos… Mas, a versão de Jacques Offenbach para Orfeu no Inferno é de outra ordem. Escrita como ópera burlesca, transformou-se em uma sátira na qual Orfeu e Eurídice não levam uma típica vida de casal – estão cansados um do outro e, por isso, já nenhum deles é fiel aos votos do matrimônio. Enquanto Orfeu se encanta com as suas belas alunas, Eurídice jura amor a Aristeu. Depois de descoberta a traição e em prol da sua imagem, Orfeu prepara a morte do amante da mulher e esta corre para lhe contar os planos do marido… Aristeu (na verdade, Plutão disfarçado) atrai Eurídice e toma o mesmo veneno que ela, em nome do amor. Ela morre e é conduzida por Aristeu/Plutão para o inferno. Orfeu fica feliz com a morte da mulher, mas, para seu infortúnio, a opinião pública exige que vá salvá-la.

SERVIÇO:
Fora de Série - Música e Mitologia
15 de junho - 18h
Sala Minas Gerais
Marcos Arakaki, regente

Ingressos: R$ 46 (Coro) R$ 52 (Balcão Palco) R$ 52 (Mezanino), R$ 70 (Balcão Lateral), R$ 96 (Plateia Central), R$ 120 (Balcão Principal), Camarote par (R$ 140).
Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.
Ingressos para o setor Coro serão comercializados somente após a venda dos demais setores.
Ingressos comprados na bilheteria não têm taxa de conveniência.
Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br
https://filarmonica.art.br/

Fonte: Uai
Compartilhe.

Deixe uma resposta

1 × três =